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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O caminho era o mesmo, mas eu não…


Meus passos seguiram pelo mesmo caminho de todos os dias. Balançando levemente a cabeça conforme a melodia que saia do fone de ouvido, eu andava em direção à saída do metrô. Fiquei de frente com a escadaria que, diariamente, subo com ar de
fadiga, mas ontem não, ontem foi diferente.

Algo de novo acontecia ali. Livre da correria dos horários de pico, aquele lugar era todo meu. Subi cada degrau como quem escala uma montanha, com ar de quem está prestes a fazer uma descoberta.

Continuei a caminhada no ritmo da música. Vento, frio, cansaço. Nada me desconcentrava. Estava focada em um sentimento que, vez ou outra, felizmente, vem me visitar: a satisfação.

Olhava o mesmo cenário que já aprecio há mais de um ano e, pela primeira vez, é como se ele viesse com legenda. Cada piscada dava um sentido novo para o que eu via. Cada passo parecia justificar o meu contentamento.

As lembranças surgiram como se eu rebobinasse uma fita, e, aos poucos, fui entendendo o porquê de tanta leveza. A maturidade às vezes chega na surdina e, hoje, eu penso que ela vem de uma forma tão completa, que a gente quase nem é capaz de perceber – parece que sempre esteve ali.

Acho que parte dos sentimentos positivos que senti vem desse momento mais sereno. De entender que a busca do ser humano é eterna, mas ficar confortável dentro do que a gente vive também é possível. É real.

Quando você para e observa os detalhes, vê que nem tudo vai acontecer conforme o pedido, mas muito vai ser conquistado de acordo com a necessidade. Vai preencher com cautela os espaços reservados para os sonhos, sempre deixando um lugar vago. Aquele cantinho “incentivo”, que te estimula a não parar de caminhar…

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