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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

DE QUEM É A CULPA?



É do cara que não chega no horário, é do emprego que está longe, é da vida que não é fácil. É do Mundo “de provas e expiações”, é do Carma, é do Sistema Capitalista (ou Comunista, dependendo de onde você encarnara). É da Hora que não passa, é do Tempo que corre sem se importar comigo (ou contigo). É dos pássaros que não cantam o tanto quanto deveriam, ou que cantam demais. É dos dias cinzentos ou chuvosos, é dos dias ensolarados demais, é do complexo hormonal, é da notícia triste de todos os dias. É da miséria alheia, do negativismo alheio, dos problemas alheios, da alienação, também, alheia. É da Política, é dos Políticos, é dos Corruptos, é dos Poderosos.

É do trem que se atrasa, do ônibus que não chega e, quando chega, chega lotado (assim como o trem). É do outro, sempre é do outro: Da má educação, da impaciência, da falta de atenção, do egoísmo, da imoralidade, da promiscuidade, da gula, da ganância… Do outro. Todos são culpados, mas ninguém tem a culpa. Afinal, mesmo que eu cometa as mais profundas atrocidades ou machuque profundamente aqueles que eu mais amo, ainda assim, a culpa será de alguém, ou alguma coisa, que não eu.



Pois, caso eu assumisse que sou responsável por mim mesmo, muita coisa teria que mudar e, talvez, minha culpa não coubesse mais em um copo de cerveja, num maço de cigarro, num pacote de salgadinho ou numa barra de chocolate. Caso eu viesse a entender que todo direito compreende um dever e que ter uma alma é muita responsabilidade, talvez e somente talvez, quando começassem a reclamar perto de mim eu diria algo positivo, ou quando alguém próximo jogasse um pedaço de papel no chão, eu faria alguma coisa (quem sabe pegar o papel e jogar no cesto?).

Caso eu viesse a entender a Sabedoria milenar que diz “Vós sois deuses” ou então “Podeis fazer o que faço e muito mais”, ou até mesmo a que diz “Todo homem e toda mulher é uma estrela”, eu teria que me assumir de uma vez por todas. Mas pra que ser um deus? Ou pra que ser uma estrela? Pra que fazer mais? Deuses precisam viver e deixar legados, exemplos, marcos e inspirações; Homens só precisam existir, é muito mais fácil. Estrelas tem que gerar seu próprio calor, tem que emanar Luz aos outros e aprenderem à conhecer as trevas que coexistem ao seu redor; É muito mais simples refletir a Luz alheia e, claro, reclamar quando ela estiver intensa demais ou amena demais, afinal, a culpa é dela. Fazer mais não é preciso, porque existir já é cansativo, imagina viver?

Para terminar, eu prefiro ser normal, pois a normalidade é inquestionável, seguir roteiros é muito mais simples. Os loucos? Eu tenho medo deles, eles questionam o que vivem e sempre querem fazer de suas vidas alguma coisa brilhante, divertida, querem escrever suas próprias histórias: Por isso são loucos e por isso o Mundo está essa porcaria, a culpa é deles… Eu poderia até querer ser um, mas a preguiça e a covardia que estão lá na primeira página do Roteiro simplesmente não deixam. A culpa é delas.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante.

Martha Medeiros

Aprendendo a conversar com Deus



Para conversar com Deus é preciso antes de tudo aprender a estar em silêncio.Muitos se queixam que não conseguem ouvir a voz de Deus e, portanto, não há nenhum mistério.Deus nos fala. Mas geralmente estamos tão preocupados em falar, falar e falar, que Ele simplesmente nos ouve. Se falamos o tempo todo, nada mais natural que ouvirmos o som da nossa própria voz. Enquanto nosso eu estiver dominando, só ouviremos a nós mesmos. A maneira mais simples de orar é ficar em silêncio, colocar a alma de joelhos e esperar pacientemente que a presença de Deus se manifeste. E Ele vem sempre. Ele entra no nosso coração e quebranta nossas vidas. Quem teve essa experiência um dia nunca se esquecerá. Nosso grande problema é chegar na presença de Deus para ouvir somente o que queremos. Geralmente quando chegamos a Ele para pedir alguma coisa, já temos a resposta do que queremos. Não pedimos que nos diga o que é melhor para nós, mas dizemos a Ele o que queremos e pedimos isso. É sempre nosso eu dominando, como se inversamente, fôssemos nós deuses e que Ele estivesse à disposição simplesmente para atender a nossos desejos. Mas Deus nos ama o suficiente para não nos dar tudo o que queremos, quando nos comportamos como crianças mimadas. Deus nos quer amadurecidos e prontos para a vida. Quem é Deus e quem somos nós? Quem criou quem e quem conhece o coração de quem? Somos altivos e orgulhosos. Se Deus não nos fala é porque estamos sempre falando no lugar dele. Portanto, se quiser conversar com Deus, aprenda a estar em silêncio primeiro. Aprenda a ser humilde, aprenda a ouvir. E aprenda, principalmente, que Sua voz nos fala através de pessoas e de fatos e que nem sempre a solução que Ele encontra para os nossos problemas são as mesmas que impomos. Deus também diz "não" quando é disso que precisamos. Ele conhece nosso coração muito melhor que nós, pois vê dentro e vê nosso amanhã. Ele conhece nossos limites e nossas necessidades. A bíblia nos dá este conselho: "quando quiser falar com Deus, entra em seu quarto e, em silêncio, ora ao Teu Pai." Eis a sabedoria Divina, a chave do mistério e que nunca compreendemos. Mas ainda é tempo...Encontramos no livro de Provérbios a seguinte frase: "as palavras são prata, mas o silêncio vale ouro." A voz do silêncio é a voz de Deus. E falar com Ele é um privilégio maravilhoso acessível a todos nós.

Letícia Thompson

O amor romântico

O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.
Fernando Pessoa
Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.
Clarice Lispector